Onde há uma vontade …

Há exatamente um ano atrás eram realizadas, em Buenos Aires, Argentina, as Primeiras Jornadas Latinoamericanas e do Caribe (LAC) do gvSIG. Nós, da Embrapa Florestas e da Universidade Federal do Paraná, havíamos conhecido o software alguns meses antes, quando estávamos procurando alternativas aos programas proprietários que usávamos para nossas atividades em geoprocessamento. Ao ver o anúncio das Jornadas (e logo ali, relativamente perto para nós que vivemos no sul do Brasil!) já nos animamos a apresentar e relatar um pouco da nossa experiência como neófitos no tema. Nesse mesmo evento tivemos a oportunidade de conhecer o pessoal da Associação gvSIG e foi numa conversa informal, durante o café, que surgiu a ideia de fazer as LAC do ano seguinte, 2010, no Brasil, inclusive para conhecermos as dimensões de uma potencial comunidade de usuários e sabermos como estava distribuída no país.

Da ideia à vontade não foi mais que um passo e logo se uniram a nós outros colegas, também brasileiros, representando o Centro Internacional de Hidroinformática (CHI) e o Comitê da Bacia Hidrográfica do Ribeira de Iguape e Litoral Sul. Porém como as LAC de 2010 já estavam previstas para acontecer na Venezuela e como não queríamos deixar passar mais um ano até poder sediar as 3as. LAC (somente em 2011), nos foi sugerido que organizássemos as Jornadas Brasileiras, até como forma de preparação para um evento maior.

E a proposta começou a tomar corpo, primeiramente com a criação de um grupo coordenador para aglutinar ideias, aproximar pessoas e instituições e constituir um ponto de ligação entre a Associação gvSIG, na Espanha, e os usuários do programa no Brasil. Alguns meses e muitos emails depois, em abril de 2010, surgia oficialmente a Comunidade Brasileira de Usuários gvSIG. Ao mesmo tempo, usando a lista de discussão do projeto gvSIG e também a lista da Comunidade OSGeo-BR, fomos descobrindo quem já trabalhava com o software por aqui.

O passo seguinte foi começar a preparar as Jornadas Brasileiras, divulgando o evento e a recém-criada Comunidade através de uma lista de discussão em português bem como por um link na página oficial do gvSIG, estabelecidos especialmente para nós pelos profissionais da Associação gvSIG.

Enviar convites, elaborar fôlder e cartazes para divulgação, criar um lema e um logotipo para as Jornadas, pensar e estruturar um programa para o evento, encontrar um auditório apropriado, fazer a chamada para trabalhos voluntários, receber formulários de inscrição, convidar palestrantes, montar “pasta, etiqueta, bloco e crachá”, gravar e imprimir capas de DVDs e embalá-los, preparar e assinar certificados, analisar resumos e artigos, organizar reuniões técnicas e minicurso pré-jornadas, selecionar alguns hotéis BBB (bom, bonito e barato) em Curitiba, checar laptop, datashow, microfone e pilhas e (ufa!!) decidir o menu do coffee-break e escolher as flores para ornamentação da mesa de abertura, tudo isso fez parte de uma longa “jornada” que se acelerou nos meses de agosto e setembro desse ano.

Na semana que antecedeu o evento, a expectativa era grande e a primeira (de muitas) gratas surpresas foi o número de inscritos: 226 pessoas! Depois, pelas conversas ao longo dos três dias de evento, pudemos constatar que uma expressiva proporção dos assistentes não somente já conhecia o software como também o utilizava rotineiramente como ferramenta de trabalho em suas respectivas áreas de interesse.

Asistentes en coffee break - 1º Jornadas gvSIG Brasil

Dizer apenas que as 19 palestras, 8 seminários e 1 mesa-redonda – elementos da programação oficial das Jornadas – foram bastante interessantes, seria minimizar o esforço, a disposição e o empenho de todos aqueles que prepararam apresentações, nos transmitiram pensamentos e reflexões e, principalmente, compartilharam seus conhecimentos com tanta boa vontade e entusiasmo.

Minicurso sobre gvSIG Desktop - 1º Jornadas gvSIG Brasil

A plateia, então, não poderia ser mais eclética, quer seja pela multiplicidade do público envolvido (quase 100 instituições representadas, além dos profissionais autônomos), quer seja pelas nacionalidades presentes (gente do Brasil, da Espanha, da Venezuela, do Uruguai, da Argentina, de Moçambique e do Peru). Em função disso, no encerramento até comentei que saíamos dessas Jornadas com duas grandes certezas: a primeira era a de que nós, brasileiros, estávamos entendendo e “hablando” o espanhol muito melhor do que antes; e a segunda, era que a recíproca também era verdadeira, ou seja, nossos “hermanos” de língua castelhana também agora compreendiam o português com muito mais facilidade … rs … rs … rs …

Participación en ronda de preguntas - 1º Jornadas gvSIG Brasil

Brincadeiras à parte, sentimo-nos honrados por poder contar com a participação de tantas pessoas, que dispuseram do seu tempo de trabalho e de lazer para articular passagens, transporte, estadia; para deslocar-se cruzando um ou vários estados desse nosso Brasil e até mesmo oceanos (!), além dos trechos percorridos em suas regiões ou países de origem.

Dentre tantas discussões técnicas profícuas, tantos contatos profissionais, pessoais e institucionais estabelecidos e tantas informações e experiências trocadas, acredito que, nesse evento, nos marcaram de forma mais profunda:

  • a percepção – adquirida ao longo desses três dias – de que o software, em si, é uma parte importante, sim, do projeto gvSIG, mas o projeto vai muito além. Prova disso é que nas Jornadas não se discutiram apenas aplicações e casos de sucesso, mas nos foi mostrado o que está por trás do gvSIG e o que o sustenta: o fato de existir uma comunidade de usuários que quer interagir, melhorar o software, compartilhar conhecimentos e buscar soluções;
  • a constatação de que “onde há uma vontade, há um caminho”, mesmo que não se saiba muito bem por onde ele vai passar. Ainda acho surpreendente e muito gratificante que o simples fato de querer realizar as Jornadas tenha possibilitado que outras pessoas e instituições se sentissem igualmente motivadas, de forma a nos apoiar de inúmeras maneiras e meios, viabilizando um evento de qualidade técnica, pensado, construído e organizado a muitas mãos, de forma totalmente colaborativa, sem qualquer aporte financeiro direto relativo a taxas de inscrição, vendas de stands ou espaços publicitários.
  • a sempre renovada (embora tão antiga) descoberta de que aproveitamos toda e qualquer oportunidade que nos permita fazer aquilo que mais gostamos e que parece ser o destino imutável da nossa privilegiada condição enquanto seres humanos: ter ideias, pois são elas, as ideias, distribuídas por todos os campos do conhecimento, que nos movem, nos animam, nos mantem vivos e nos fazem querer melhorar o mundo, tanto para nós, que estamos aqui hoje, como para aqueles que continuarão a jornada depois de nós ….
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2 Responses to Onde há uma vontade …

  1. Wilson Holler says:

    Como diz um provérbio chinês “Uma longa jornada começa com um primeiro passo”.
    Vamos somar nossos passos…
    Saudações

  2. Aknaton says:

    Bom dia !
    Parabéns a comunidade pelo excelente trabalho!

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